Foto meramente ilustrativa. Facebook
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Todo homem prudente deve construir sua casa sobre rocha para que vendaval nenhum, ou tempestade nenhuma a destrua. Ou, em outras palavras, quem, por insensatez, inobservar tal advertência, correrá o previsível e grave risco de ver sua construção destruída, conforme nos ensina parábola bíblica pertinente (in Mateus 7:24-27).

Essa metáfora me remete à Política implementada no Brasil sobretudo entre os anos de 2003 e 2018 pelo Partido dos Trabalhadores, coadjuvado pelos Partidos ironicamente chamados de “puxadinhos”, alicerçados na chamada “base aliada” e contemplados por uma oposição visivelmente conivente, o que, por via de consequência, gerou uma crise ética, política e econômica sem precedente, que, assumindo a proporção de vendaval, guindou, democraticamente (pois, pelo voto!), à Presidente da República um ex-Capitão do Exército, anônimo Deputado Federal integrante do desprezível baixo clero, que, à semelhança de tempestade, está a desmontar toda a má construção edificada durante os longos 16 anos de desgovernos.

Justifica-se o uso da expressão má construção, porque, em vez de Política, que, sempre que executada como Ciência, tem inevitável condão de, precipuamente, promover o bem-estar do conjunto da Sociedade, na verdade o que fizeram foi Politicagem, que é, sem pôr nem tirar, negação da Ciência, isso na medida em que, em vez de utilizarem de material rochoso, fizeram uso de argamassa eivada de prepotência, que se revelara através das agressivas expressões “nósXeles”, “coxinhas”, “fascistas”, “nazistas” etc., ensejando, consequentemente, resposta vazada em termos da mesma natureza, como “petralhas”, “mortadelas”, etc.); utilizaram-se de argamassa eivada de incompetência (crise sem precedente) e valeram-se, ainda, de argamassa eivada de desonestidade (Mensalão, Petrolão etcaterva).

Acrescento que, se não bastassem os irrefutáveis, continuados, concomitantes e graves erros de conduta acima apontados, que, frise-se, praticados durante os mencionados desgovernos, ainda contaram com oposição, que, por proceder de maneira semelhante, ainda que pontualmente, foi conivente e contemplativa.

Creio ser também procedente ressaltar que grande parte do eleitorado de 2018 votou contra a certeza e, por conseguinte, a favor da esperança. Certeza, porque, se eleito tivesse sido o candidato derrotado, retomada seria a dilapidação do patrimônio público e o avanço da degradação moral da Nação. Esperança, porque, sem opção, confiou nas propostas do candidato vitorioso.

Concluo esperando que, os que foram guindados ao Poder, hasteando bandeira revestida de nova Política, sejam capazes de, satisfazendo plenamente os renovados anseios externados pelo eleitorado nas urnas, sobretudo nos pleitos de 2016 e de 2018, não os decepcionem mais uma vez, a começar pelos milhões de patrícios que estão abaixo da linha da pobreza e pelos 13 milhões de desempregados, isto porque, se tal vier a se repetir, além da credibilidade do Executivo e do Congresso, irão, também, de roldão, prestígio e aval das Forças Armadas, o que significa dizer que, se o Executivo e o Congresso decepcionarem – o que, por óbvio, não se espera! – os efeitos se estenderão, inevitavelmente!

Salvador Bonomo
Ex-Deputado estadual e Promotor de Justiça inativo

Vitória, 11.02.2019

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