No Mercado de Trabalho, a taxa de desocupação capixaba chegou a 10,9% no 2º semestre de 2019, registrando queda de -1,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior

O Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo registrou crescimento de +2,5% no segundo trimestre de 2019 quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, desempenho melhor que o nacional, que foi de +0,4%. O indicador de PIB Trimestral é uma estimativa calculada pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e foi divulgada nesta quarta-feira (18) em coletiva à imprensa.

“O Espírito Santo vive uma recuperação cíclica em ritmo lento, da mesma maneira que o Brasil. As incertezas do cenário nacional continuam travando a recuperação de investimentos, juntamente com a crise fiscal”, pontuou o diretor-presidente do IJSN, Luiz Paulo Vellozo Lucas.

publicidade

Ainda na comparação com o trimestre anterior, o indicador positivo foi segurado pelo Comércio Varejista Ampliado, com aumento de +2,3% no setor. O resultado negativo ficou por conta do desempenho da indústria, que teve queda de -7,3% no período.

Já no acumulado do ano de 2019 (janeiro a junho), a economia capixaba apresenta-se com crescimento de +0,2%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Nesta base de comparação, as reduções da Indústria (-12%) e dos Serviços (-1,6%) foram contrabalançadas pelo crescimento de +6,6% do Comércio Varejista Ampliado, com destaque para o segmento de “Veículos, motocicletas, partes e peças” (+7,4%).

“O setor de petróleo no Espirito Santo é o principal responsável pela retração da indústria, mas ao mesmo tempo é o mais promissor em termos de recuperação de investimentos na medida em que os leiloes de concessão acontecerem e os novos investimentos dos campos de terra se concretizarem”, explicou Luiz Paulo.

O PIB Nominal capixaba totalizou R$ 123,5 bilhões no acumulado dos últimos quatro trimestres, sendo de R$ 33,3 bilhões no 2º trimestre de 2019.

Os dados completos constam no documento publicado pelo IJSN. A estimativa de PIB é calculada trimestralmente pelo Instituto e tem por objetivo um acompanhamento mais atualizado da economia do que o PIB anual, cujos resultados apresentam defasagem de dois anos. O cálculo do PIB Estadual é realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Panorama Econômico

No trabalho publicado nesta quarta-feira (18) pelo IJSN consta ainda o Panorama Econômico do Espírito Santo, também referente ao 2º trimestre de 2019. A publicação apresenta uma análise detalhada dos movimentos econômicos captados pelo PIB Trimestral nos diferentes setores, além de outros dados e análises sobre Agricultura, Indústria, Comércio, Serviços, Comércio Exterior, Inflação e Mercado de Trabalho capixabas.

A indústria foi o setor que apresentou queda em todas as bases de comparação, com indicadores negativos na Indústria Extrativa e de Transformação, sendo -17,9% e -6%, respectivamente, no acumulado de 2019 (1 e 2º trimestres). No caso da Indústria Extrativa, o resultado negativo foi efeito da queda na produção de petróleo e gás, além da tragédia de Brumadinho, que refletiu negativamente na extração e produção de minério de ferro. Na Indústria de transformação, houve retração na fabricação de celulose, papel e produtos de papel e na metalurgia.

Na Agricultura, o café conilon, principal produto da agricultura capixaba, apresentou alta de +7,4% no volume produzido e +0,3% na área colhida em 2019, em relação a 2018. Esse resultado adveio do aumento do rendimento da cultura devido às boas condições climáticas na época das floradas. O ano de 2019 é ano de bienalidade negativa na cultura do café arábica, na maioria do solo produtivo capixaba. Dessa forma, a previsão atual é que ocorra queda de -24,9% no volume produzido este ano, em contraposição ao volume do ano anterior.

Após dois trimestres seguidos de queda, as exportações do agronegócio capixaba apresentaram crescimento de +42,1% no segundo trimestre de 2019 comparado ao trimestre imediatamente anterior. O impulso do crescimento veio, principalmente, da expansão de +102,6% nas vendas externas de celulose, que garantiu +37,2 pontos percentuais (p.p.) do crescimento de +42,1%, no período. As exportações de café em grãos (+20,4%) e café solúvel (+37,9%) também influenciaram o crescimento, contribuindo com +7,8 p.p. e +1,4 p.p., respectivamente.

O Comércio apresentou variações positivas em todas as bases de comparação, impulsionado pelo desempenho do varejo ampliado (setor de veículos, motocicletas, partes e peças). O setor de Serviços apresentou crescimento apenas na comparação contra o trimestre anterior (+0,9%). Nas demais comparações teve desempenho negativo devido às quedas nos serviços prestados por profissionais, administrativos e complementares, de informação e comunicação e outros. Apesar das reduções, o consumo das famílias, segmento de grande importância do setor, apresentou crescimento.

O comércio exterior capixaba totalizou US$ 3,2 bilhões no segundo trimestre de 2019, somados exportações (US$ 1,7 bilhão) e importações (US$ 1,5 bilhão). A retração foi puxada pelas exportações, que caíram -10,10% na comparação com o primeiro trimestre desse ano. As importações, por sua vez, mantiveram o ritmo de crescimento, com variação de +6,08% na mesma base de comparação.

A taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, desacelerou em relação ao trimestre imediatamente anterior tanto no Brasil (+0,7%) quanto na Região Metropolitana da Grande Vitória – RMGV (+1%). A inflação foi impactada de forma mais significativa pelos bens e serviços agrupados como Saúde e cuidados pessoais, com alta de +3,0% na RMGV, isso aliado à importância do grupo “Saúde” na composição do índice. Também tiveram aumentos os segmentos de Alimentação e Bebidas (+1,2%), que detêm o maior peso na composição do índice, e Vestuário (+3,3%), que registrou o maior aumento de preços.

No Mercado de Trabalho, a taxa de desocupação capixaba chegou a 10,9% no 2º semestre de 2019, registrando queda de -1,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. O número de pessoas ocupadas foi estimado em pouco mais de 1,9 milhão de pessoas (+5,8% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior). O maior número de ocupados em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior foi puxado pelo crescimento do número de trabalhadores por conta própria (+12,0%), tanto com CNPJ (+30,7%) quanto sem CNPJ (7,5%), bem com pelos trabalhadores domésticos (+16,5%), especificamente aqueles com carteira (+26,7%).

O rendimento habitual médio de todos os trabalhos no 2° trimestre de 2019 foi estimado em R$ 2.110,77, para o Espírito Santo, não apresentando variação estatisticamente significativa.

No mercado formal – dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia –, foi registrado saldo positivo de +11.113 postos de trabalho no Espírito Santo no trimestre. O estoque de empregos no Estado alcançou o patamar de 739.764 vínculos de emprego, valor +1,54% maior em comparação ao registrado no trimestre anterior.