Salvador Bonomo é Ex-Deputado estadual e Promotor de Justiça inativo

Já disse alhures que, minha neta Laila, acolhendo pedido meu, comprou-me o livro A Morte da Morte, que trata da possibilidade científica da imortalidade, da LVM Editora, cujos autores são José Luís Cordeiro e David Wood, onde, por óbvio, estudaram o envelhecimento.

Os autores, para tal objetivo, invocaram opiniões de grandes personalidades: 1º) do filósofo grego Aristóteles (350 a. C.): “As razões pelas quais alguns animais têm vida longa e outros têm vida curta, e, em resumo, a causa da duração e brevidade da vida requer investigação”; 2º) do biólogo ucraniano Ilya Mechnikov (1903): “O envelhecimento é doença que deve ser tratada como qualquer outra doença”; 3º) do biólogo espanhol Juan Carlos Izpisúa Belmonte (2016): “O envelhecimento é algo plástico que podemos manipular”; 4º) da bióloga espanhola Maria Blasco (2016): “Envelhecer não é nada natural”; 5º) do geneticista espanhol Ginés Morata (2008): “O ser humano poderá viver até 350 e 400 anos”.

publicidade

O que é envelhecimento? Segundo a Enciclopédia Britânica, é mudança intrínseca e gradual, que afeta células, órgãos e organismos, resultando crescente risco e vulnerabilidade e, por óbvio, inação, doenças e morte.

Aristóteles (384-322 a.C.) foi dos primeiros a realizar estudo sobre envelhecimento, de plantas e animais. Aliás, foi também ele autor da “Política”, onde disse ser “o homem, por natureza, um animal político”. No século II d. C., Galeno, médico grego, disse que o envelhecer começava ao nascer, com mudança e desgaste do corpo. No século XIII, o filósofo Roger Bacon inventou a teoria do desgaste: “wear and tear”. Já, no século XIX, emergiram as ideias evolucionistas do naturalista inglês Charles Darwin: “Origem das Espécies”.

A Inteligência Artificial, ramo da ciência da computação, não substitui a inteligência humana, só a ajuda a solucionar problemas. Seu avanço é célere já contribuiu (e fará muito mais!) para resolver questões na Saúde, na Medicina e na Biologia e, por óbvio, contra o envelhecer, que é processo “plástico” e “flexível”, que é manipulável e “evitável” e “reversível”.

Ao longo do tempo, o envelhecer foi visto como processo natural, não como doença. Hoje, porém, ela consta, na Classificação Internacional das Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde, como “envelhecimento saudável”. Muitas são as teorias sobre o envelhecer, como muitas são as razões para acreditarem no êxito do avanço biotecnológico. Aliás, os autores chegaram a afirmar que, nos próximos 20 anos, veremos mais avanços do que nos últimos 2.000 anos, o que, em razão da morte, não me será possível presenciar!

O reconhecimento do envelhecer como doença é um desafio, principalmente em virtude de serem imprecisas as definições de estado de saúde e a sua consequente inclusão na lista da CID, o que muito ajudará a canalizar recursos públicos e privados para a cura prévia, e não na doença posterior.

Concluo, ressaltando que já há provas conceituais para se deter o envelhecer e se alargar o rejuvenescer, e citando dicção do físico Albert Einstein (1879-1955): “Existe uma coisa que uma longa existência me ensinou: toda a nossa ciência, comparada à realidade, é primitiva e inocente; e, portanto, é o que temos de mais valioso”.

Vitória, 12.12.2019