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Ética é palavra de origem grega: ethos, que significa personagem. Difere de Moral, que provém do Latim: mos, que significa costume. A Ética encarta um conjunto de valores e regras de comportamento da Sociedade como um todo: o que é bom ou o que é mau, o que é certo ou o que é errado, o que é justo ou o que é injusto, do ponto de vista coletivo.

Diferentemente da Ética, a Moral encerra um conjunto de valores e regras do indivíduo na Sociedade: é o bom ou o mau, o certo ou o errado, o justo ou o injusto do ponto de vista do indivíduo. Em síntese: a Ética é de natureza coletiva, ao passo que a Moral é de natureza individual. Em outras palavras: a Ética se converte em Moral na prática.

Lendo o livro intitulado Escritos Políticos do jurista, economista, sociólogo e filósofo alemão, Max Weber (1864-1920), deparou-se-me o artigo A Política como Profissão e Vocação, cujo conteúdo aglutina 4 palestras que proferira, há 99 anos (1919), para integrantes da União de Estudantes Livres da Alemanha, de que destaco a questão ética da Sociedade no âmbito da Política, por considerá-la conveniente e oportuna, em razão, sobretudo, da crise ética, política e econômica em que chafurdaram o nosso País.

Segundo Max Weber, na seara da Política, existem dois tipos de pecados mortais: falta de objetividade e de responsabilidade, sendo a vaidade a causa de o político cometer um deles, ou ambos. A falta de objetividade faz o político ambicionar mais o brilho do Poder que o Poder real. Já a falta de responsabilidade contribui para que o político aprecie o Poder pelo Poder, sem qualquer outra preocupação.

Os adeptos da ética da convicção acham que são responsáveis apenas por não deixarem que se apaguem as chamas da convicção que, por exemplo, impulsionem protestos contra injustiças reinantes no seio da Sociedade. Aliás, alimentá-las, permanentemente, é indispensável à continuidade da luta ideológica para que se concretize o desiderato orientado pela mencionada ética.

Já os adeptos da ética da responsabilidade, em virtude de admitirem que os seres humanos em geral são portadores de deficiências, concluem que é inaceitável a tese de que terceiros não são responsáveis pelas consequências previsíveis, resultantes de condutas dos infratores, em razão do que, por óbvio, dirão: ”essas consequências ruins são frutos dos nossos atos”.

Concluindo, reitero o que já disse algumas vezes alhures: como, no decurso de 2018, haverá eleições para Deputados Estaduais, para Deputados Federais, para Senadores, para Governadores dos Estados e para Presidente da República, teremos o inarredável dever de, errando menos nas escolhas, elegermos representantes autênticos, tanto para integrar os Poderes Legislativos, como para chefiar os Poderes Executivos, desiderato esse que consistirá em escolhermos estadistas, em vez de políticos tradicionais (politiqueiros), para o que basta seguirmos o seleto conselho que nos legou o saudoso paulista Antônio Ermírio de Morais (1928-2014), lapidado nestes belos e incontestáveis termos:

“Há uma nítida diferença entre estadista e político. O primeiro é alguém que pensa que pertence à Nação; o segundo, alguém que pensa que a Nação lhe pertence”.

Se errarmos, a culpa será também nossa!

Salvador Bonomo
Ex-Deputado estadual e Promotor de Justiça inativo
Vitória, 22.01.2018

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