Salvador Bonomo
Ex-Deputado estadual e Promotor de Justiça inativo

Todo homem prudente deve construir sua casa sobre rocha para que vendaval, ou tempestade, não a destrua; em outras palavras, quem, por insensatez, inobservar essa advertência, correrá o previsível e grave risco de ter sua construção destruída, conforme pertinente lição constante de parábola bíblica (in Mateus 7:24-27).

Tal metáfora nos remete à Política (ou Politicagem!) implementada no Brasil, sobretudo entre 2003 e 2018, pelo Partido dos Trabalhadores, coadjuvado pelos Partidos ironicamente chamados de puxadinhos, alicerçados na conivente base aliada, e contemplados por uma oposição minimamente conivente, o que gerou crise ética, política e econômica sem precedente, que, assumindo proporção de vendaval, guindou, democraticamente (pois, através do voto!), à Presidente da República um ex-Capitão do Exército e anônimo Deputado Federal do dito baixo clero, que, à semelhança de tissuname, está a desmontar a má construção edificada durante o citado período.

Justifica-se o uso da expressão má construção, pois, em vez de Política, que, como Ciência, tem o condão de promover o bem-estar do conjunto da Sociedade, fez-se, na verdade, Politicagem, que, sem pôr nem tirar, é sua negação, o que ocorre na medida em que, em vez de usar-se material rochoso, utilizou-se de argamassa eivada de prepotência, revelada pelas expressões nósXeles, coxinhas, fascistas, nazistas etc., ensejando, por conseguinte, resposta vazada em termos da mesma natureza, como petralha, mortadela, etc., utilizou-se de argamassa eivada de incompetência (crise sem precedentes), utilizando-se, ainda, de argamassa eivada de ilicitudes (Mensalão, Petrolão etcaterva).

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Acrescento que, se não bastassem os irrefutáveis, continuados, concomitantes e graves erros de conduta acima apontados, que, frise-se, foram perpetrados no decurso dos citados desgovernos, ainda existiu, simultaneamente, uma oposição, que, em vez de ser contundente, viril, foi, minimamente, contemplativa, conivente, se não procedeu de maneira semelhante ou idêntica!

Entendo ser também procedente ressaltar-se que grande parcela do eleitorado de 2018 votou contra a certeza e, por conseguinte, a favor da esperança.

Digo certeza, porque, se eleito tivesse sido o candidato derrotado, certamente retomada seria a criminosa dilapidação do patrimônio público, e o vergonhoso e chocante avanço da degradação moral da Nação. Esperança, porque, sem opção, grande parcela do eleitorado confiou na realização das propostas do candidato vitorioso.

Concluo na esperança de que, os que foram guindados aos Poderes, hasteando bandeira revestida de nova Política, sejam capazes de, satisfazendo plenamente os renovados anseios externados pelo eleitorado nas urnas, sobretudo em 2016 e em 2018, não os decepcionem mais uma vez, a começar pelos milhões de patrícios que se acham abaixo da linha da pobreza e pelos 13 milhões de desempregados, isto porque, se nova decepção vier a ocorrer, além do descrédito do Executivo e do Congresso, irão, também, de roldão, o aval e o prestígio das Forças Armadas, o que significa dizer-se que, se o Executivo e o Congresso decepcionarem – o que, por óbvio, não se espera, porque não se deseja – serão as consequências estendidas, inevitavelmente!

Vitória, 30.04.2019.