Salvador Bonomo

Por Salvador Bonomo

Em 1966, o saudoso jornalista e escritor carioca, Sérgio Porto (1923-1968), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, escreveu, para o Teatro de Revista, canção satírica – “Samba do Crioulo Doido” – em que, aludindo a algo sem sentido, incoerente, irracional, ilógico, absurdo, ironizou a obrigatoriedade de as Escolas de Samba, nos sambas-enredo, só abordarem fatos históricos.

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Em 1960, em acirrada campanha, Jânio Quadros (1917-1992), representando corrente política conservadora (UDN), concorreu à Presidência da República contra o General Henrique T. Lott (1894-1984), que encarnava corrente nacionalista (PSD/PTB). Lott era abstêmio, enquanto Jânio gostava de whisky; questionado, Jânio respondeu: “Bebo-o, porque é líquido; se fosse sólido, comê-lo-ia”. Recordo-me, ainda, de que ele prometia combater a corrupção, como o revelava o jingle da campanha: “Varre, varre, varre vassourinha/varre, varre a bandalheira/ que o povo já tá cansado/ de sofrer dessa maneira/ Jânio é a esperança desse povo abandonado!”

Massivamente, o eleitor elegeu o conservador Jânio, mas guindou, como Vice, o progressista da chapa adversa, João Goulart (Jango). O governo de Jânio foi meteórico (7 meses) e contraditório, pois, internamente, conservador e, externamente, progressista, chegando a condecorar “Che” Guevara (1961), principal auxiliar de Fidel Castro na revolução cubana de 1959.

Em 25.08.61, Jânio, creio, sob “delirium tremens”, renunciou denunciando que “Forças terríveis” o impediam de governar, o que nunca se provou! Mas, para alguns, Jânio assim agiu certo de o  povo, nele crendo, revoltar-se, e ele, “na crista da onda”, voltar como Ditador. Lendo engano!

Superado certo imbróglio militar, assumiu a Presidência Jango, que, impelido pelas esquerdas, começou a lutar para que o Congresso votasse as “reformas de base”, dentre as quais a agrária, o que, assustando significativa parte do povo, tornou tenso o quadro político, que, sobretudo, os Governadores da oposição – Magalhães Pinto (1909-1996), de MG; Ademar de Barros (1901-1969), de SP, e Carlos Lacerda  (1914-1977) , da GB (hoje, RJ) – souberam explorar, sensibilizando a cúpula das Forças Armadas, que, destituindo Jango, entre 31.03 e 1º.04. 64, impôs o Regime Militar, que durou 21 anos (1985), no qual houve muitas cassações, prisões, exílios e mortes.

A redemocratização iniciou com a eleição de Presidente da República e Vice, no Colégio Eleitoral, de Tancredo Neves (1910-1985) e de José Sarney (1931) com 480 votos, contra 180 da chapa de Paulo Maluf (1931) e de Flávio P. Marcílio (1917-1992). Tancredo não tomou posse, pois, adoecendo, operado 7 vezes e internado por 38 dias, morreu, cuja causa causou controvérsias infindas: apendicite? diverticulite? envenenamento? avc? câncer? erros médicos? Em síntese: não houve consenso.

Tancredo, doente (15.03.1985), Sarney assumiu o Poder interinamente. Morrendo Tancredo em 21.04.1985, passou a exercê-lo definitivamente, cumprindo todos os compromissos assumidos por Tancredo, o que fez até a posse do sucessor, Fernando Collor de Mello em 15.03.1990.

Fernando Collor de Mello (1949), cujo Vice foi o mineiro Itamar Franco (1930-2011), ganhou de Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno, usando do bordão “Caçador de Marajás”. Em 15.03.1990, assumiu Collor, que começou a governar de modo arbitrário, atabalhoado, pois, além inflação de 1200%aa., confiscou poupanças.

Além do exposto, em razão de, no Congresso, tramitar, contra ele, impeachment pela prática de crime de responsabilidade, que lhe poderia cassar o mandato e lhe subtrair os direitos políticos por 8 anos, renunciou ao mandato, assumiu-o o seu Vice, Itamar Franco em 29.12.1992.

Fernando Henrique Cardoso, sucedendo a Itamar Fraco, governou razoavelmente (1994-2002). Porém, sucedido por Luiz I. Lula da Silva (2003-2011), cujas marcas relevantes, dentre outras, foram o “Mensalão” e, para sucedê-lo, a apresentação da “gerentona”, Dilma Rousseff (2011-2016), cujas maras relevantes, dentre outras, formam o “Petrolão” e a própria destituição (2016) pela prática de ilícitos durante o mandato, razões, dentre outras, de o bisonho Deputado Federal do baixo clero e ex-capitão do Exército – “o mito” – ser guindado a chefe das Forças Armadas em 28.10.2018.

Encerrando, ressalto que, se bem analisarmos a nossa Política, concluiremos que, em vez de a manusearmos como Ciência, que é, nós a transformamos  em obra humorística à semelhança do “Samba do Crioulo Doido” do saudoso jornalista, Sérgio Porto, pois, tanto quanto, ilógica, irracional, absurda.

Vitória, ES, 18.07.2020

Salvador Bonomo – Ex-Deputado estadual e Promotor de Justiça inativo

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