O número estimado de agroindústrias familiares no Espírito Santo é de 2.024 empreendimentos. A maioria deles dedica-se à produção de pães, bolos, biscoitos e outros produtos derivados de trigo. O município de Domingos Martins é o que concentra o maior número de estabelecimentos. Os dados foram apurados em um levantamento feito pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), que traz a caracterização da agroindústria familiar do Estado.

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O levantamento foi organizado pela equipe da Coordenação Técnica de Segurança Alimentar e Estruturação da Comercialização do Incaper. “O objetivo desta pesquisa foi atualizar as informações sobre as agroindústrias familiares em todo o Espírito Santo quanto à sua caracterização social e econômica, abrangendo aspectos de localização, estrutura física, tipo e volume de produtos processados, qualificação e quantificação da mão de obra empregada, constituição jurídica, registro sanitário, licenciamento ambiental, canais de comercialização, entre outras informações”, disse a coordenadora Rachel Quandt Dias.

A pesquisa foi feita por amostragem, entre janeiro e dezembro de 2018, em 75 municípios capixabas. Extensionistas dos Escritórios Locais de Desenvolvimento Rural (ELDR) do Incaper e técnicos das secretarias municipais de agricultura foram a campo e aplicaram 465 entrevistas.

Os empreendimentos foram selecionados aleatoriamente, e os resultados foram apresentados conforme cada macrorregião do estado: Metropolitana, Central, Norte e Sul. Os entrevistados, na maioria homens entre 30 e 59 anos, foram os próprios produtores das agroindústrias, embora as mulheres ainda representem a maior parte das pessoas atuantes na atividade. “Isso indica uma maior participação masculina nas agroindústrias nos dias de hoje, posto que inicialmente era uma atividade exercida essencialmente pelas mulheres rurais”, acrescentou Rachel.

O documento identificou, ainda, o tempo de existência dos empreendimentos. A agroindústria mais antiga do Espírito Santo fica em Alfredo Chaves e há 86 anos produz cachaça, seguindo a tradição da família que conduz o empreendimento. Em média, as agroindústrias capixabas funcionam há pouco mais de 13 anos.

“As agroindústrias familiares representam um importante papel social e econômico no desenvolvimento do rural capixaba, especialmente quando associadas às atividades do agroturismo. Os resultados deste levantamento evidenciam a importância da atividade, desenvolvida principalmente pela agricultura familiar capixaba, e indicaram que ela se encontra em franca expansão”, disse uma das responsáveis pela pesquisa, a engenheira de alimentos do Incaper Mariana Barbosa Vinha.

Direcionamento para promover desenvolvimento

As informações obtidas revelaram necessidades e demandas dos empreendedores familiares rurais, capazes de direcionar políticas públicas e ações estratégicas interinstitucionais com intuito de apoiar e promover o desenvolvimento das agroindústrias familiares em todo Estado.

O levantamento apresenta a situação socioeconômica da atividade, abordando os recursos investidos na implantação, sua contribuição para a renda familiar, faturamento e receita bruta, além de aspectos relacionados à mão de obra. Quanto à estrutura, a área física ocupada pelo empreendimento, o local de fabricação dos produtos e as vias de acesso à agroindústria também foram tratados. Foi dada atenção também ao uso da água e à destinação dos resíduos da produção.

Também foram abordados aspectos do processo produtivo: quais são e quais as origens das principais matérias-primas processadas pelas agroindústrias e quais os tipos de produtos fabricados pelos empreendimentos.

– Organização e constituição jurídica: As agroindústrias individuais, ou seja, aquelas gerenciadas por apenas uma família de agricultores, predominam no Estado (88,8%).

– Inserção em rotas ou circuitos turísticos: A maioria das agroindústrias capixabas (76,6%) não está inserida em rota ou circuito turístico.

– Identificação e localização: a maior parte das agroindústrias (89,7%) tem um nome fantasia ou uma razão social constituída.

– Função exercida na agroindústria: a maioria dos produtores entrevistados (44,7%) desempenha todas as funções desenvolvidas na agroindústria: produção de matéria-prima, processamento, comercialização e gestão do empreendimento.

– Agricultura familiar: a maioria dos entrevistados declarou-se agricultor familiar e, destes, 75,9% possuem Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) – DAP.

– Comunicação: o levantamento demonstrou que a maioria dos entrevistados se utiliza do telefone celular e acessa as redes sociais diariamente. Entretanto, quando necessitam de informações técnicas, os entrevistados recorrem a reuniões, seminários e intercâmbio com outros produtores.

– Localização: observou-se o predomínio de agroindústrias rurais (91,6%). Apenas 8,4% dos estabelecimentos estão situados nas áreas urbanas, como centros ou distritos urbanos dos municípios.

O documento, na íntegra, pode ser baixado gratuitamente pelo site da Biblioteca Rui Tendinha.

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