Para o delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda, o prêmio ressalta o profissionalismo e a capacidade dos policiais civis e dos peritos oficiais criminais

No último dia 28 de outubro, o perito oficial criminal da Polícia Civil (PCES) e doutor em Ciências Biológicas, Carlos Augusto Chamoun do Carmo, foi o vencedor destaque do Prêmio Espírito Público, maior premiação de reconhecimento de trajetórias no setor público do Brasil. Dedicado à pesquisa forense há quase dez anos, o perito é o criador da técnica relacionada à captura do DNA de estupradores dentro de larvas de moscas que se alimentam dos corpos de vítimas em decomposição avançada.

Ao lado de outros17 profissionais de seis diferentes áreas, Chamoun foi eleito com a melhor pesquisa do País pela Sociedade Brasileira de Ciências Forenses. Perito da PCES há 12 anos, atualmente está lotado no Departamento de Criminalística. Ele explica que sua pesquisa foi motivada pela dificuldade de encontrar provas materiais em crimes de estupro seguido de morte.

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“Para identificarmos o autor desse tipo de crime é preciso que recolhamos algum material genético de dentro do corpo da vítima. Após poucos dias da morte, o cadáver entra em decomposição e a extração dessas provas materiais torna-se cada vez mais difícil. Por isso, muitos casos não conseguem ser solucionados. Fui impulsionado a encontrar uma resolução para este problema que descobri ser um obstáculo mundial”, explica o premiado.

Segundo Chamoun, sua pesquisa colabora para a resolução de outros crimes, como de sequestro, abuso contra idosos, maus-tratos a crianças e idosos, casos de execução sumária, crimes sexuais e outros.

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Microbiologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e doutor em Ciências Biológicas (Entomogenética Forense) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Museu Nacional, o perito relata que sua pesquisa contou com a colaboração de outros pesquisadores da UERJ e também de policiais civis do Rio de Janeiro. Além dos estudos no Brasil, o perito realizou uma parte de sua pesquisa na Florida International University e no Miami-Dade’s forensic lab.

Durante o doutorado, o pesquisador foi contemplado por uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e recebeu os kits moleculares custeados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Rio de Janeiro (Faperj). “Mesmo com a bolsa, em muitos momentos tive que tirar do meu próprio bolso para sustentar o meu projeto. Hoje, ele está sendo aplicado em crimes violentos e de morte no Estado do Espírito Santo, mas já foi utilizado em investigações no Estado do Rio de Janeiro”, conta.

Além da premiação, a pesquisa de Chamoun foi publicada em revistas científicas de peso em todo o mundo e, em 2016, ganhou o prêmio de melhor tese forense do Brasil. O titular da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), perito oficial criminal Renato Koscky Junior, afirma que a premiação do perito Carlos Augusto Chamoun do Carmo vem coroar o excelente trabalho desenvolvido pelos peritos do Espírito Santo, nas diversas áreas de atuação.

“Nossa perícia capixaba sempre que demandada tem se destacado pela sua excelência. Nossos profissionais têm a consciência de suas responsabilidades, quanto à necessidade de dar continuidade de seus estudos científicos, buscando sempre o desenvolvimento de novas técnicas periciais para a elucidação dos crimes, colocando o Estado como referência nacional”, destaca o superintendente.

Para o delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda, o prêmio ressalta o profissionalismo e a capacidade dos policiais civis e dos peritos oficiais criminais. “Essa conquista carrega, não apenas o grande sucesso desse profissional, mas os avanços científicos que serão aplicados em prol da sociedade brasileira, iniciando no nosso Estado e no Rio de Janeiro. Mais uma vez é reconhecida nacionalmente a competência dos policiais civis do Espírito Santo que buscam, diariamente, através do trabalho e da pesquisa, entregar à sociedade capixaba um Estado mais seguro”, pontua.