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Salvador Bonomo é Ex-Deputado estadual e Promotor de Justiça inativo 

Diz o vulgo que, quem joga pedra para cima, não deve esperar que lhe caiam pétalas sobre a cabeça, como o fizeram o Partido dos Trabalhadores e respectivos coniventes adeptos, que, por prepotência (nós x ele), por incompetência (crise), por desonestidade (mensalão e petrolão) e por ausência de oposição consistente, produziram profunda crise ética, política e economia no País, formando caldo de cultura propício para gerar candidatura eivada de generalizada, profunda insatisfação plenamente justificável.

O pressuposto de tal versão se explica pela nossa mentalidade patrimonialista, que confunde interesse público com interesse privado, que, segundo a historiadora paulista, Denise Aparecida Soares Moura, aportou, no Brasil, com as Caravelas de Cabral, segundo registro constante da carta de Pero Vaz de Caminha.

Nossa formação cultural, em vez de elidir tal vício ibérico, segundo o saudoso Raymundo Faoro, alimentou-o tanto, que se transformou em metástase, pois incontestável é que grande parcela do nosso povo sempre esteve à margem de indispensáveis direitos sociais (educação, saúde, segurança, etc.), vítimas, por conseguinte, dos cruéis efeitos resultantes de carências matérias e culturais. De outra parte, incontestável é, também, que, no âmbito das nossas elites, sempre habitaram muitos gananciosos, que, buscando cada vez mais riqueza, alimentam o sistema com propinas, pixulecos.

Em 1645, o jesuíta Hermann Busenbaum idealizou bela teoria – Os fins justificam os meios –   que deve ter ensejado aos nossos legisladores inserir no Código Penal (art. 23, II) o salutar instituto de excludente de criminalidade: matar (meio) para não morrer (fim): a legítima defesa.

Em 1980, Luiz Inácio Lula da Silva, liderando alguns sindicalistas, selecionou alguns intelectuais e determinados membros das Comunidades Eclesiais de Base, e, com eles, formou o Partido dos Trabalhadores, pelo qual Lula concorreu à Presidência da República três vezes (1989, 1994 e 1998), sem êxito, pois considerado radical por grande parcela do eleitorado, razão por que, em 2002, maquiando-se de Lulinha, paz e amor, pinçando, para Vice,  excepcional empresário de origem humilde – José Alencar –  e hasteando sedutoras bandeiras – transparência, ética e bem-estar do povo, sobretudo dos mais carentes – elegeu-se Presidente, porém, para tal, sobretudo a partir de 2000, em Santo André, iniciaram a falsear tal teoria, subtraindo verbas públicas (meio) para se manterem no Poder (fim), o que encartou ilícitos, que geraram “Mensalão” e “Petrolão”, objetos da Operação Lava-Jato.

Revelando truculência, o PT e seus adeptos, que, se tivessem disputado a eleição com Lula (que, apesar de condenado e preso por corrupção, acha-se o mais honesto dos seres!),  tinham a “faca e o queijo (ou mortadela!) na mão” para o êxito, mas, por terem usado a faca para golpear um adversário, perderam a mortadela!

De modo aparentemente irônico, a maior parte do mesmo povo, que, heroicamente, lutou por 21 anos para restabelecer o estado democrático de direito, à revelia do candidato claramente de esquerda, Haddad, guindou, democraticamente, à Presidência da República candidato assumidamente de direita, Bolsonaro, Capitão do Exército, considerado do baixo clero.

Vitória, ES, 29.10.2018