A Sejus promove assistência religiosa nos presídios há dez anos

Um workshop sobre a assistência socioespiritual nas unidades prisionais reuniu cerca de 80 profissionais e voluntários com o objetivo de aperfeiçoar e fortalecer este tipo de serviço ofertado às pessoas privadas de liberdade. O evento foi promovido pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) nesta segunda-feira (03), na Escola Penitenciária (Epen), em Viana.

Pela manhã, foram realizadas palestras em torno da temática, entre elas, a perspectiva jurídica da assistência religiosa e o papel do servidor no processo de transformação social. Para a subsecretária de Ressocialização da Sejus, Roberta Ferraz, é preciso dar a devida importância à assistência religiosa no espaço penitenciário e manter o diálogo entre todos os agentes envolvidos nesse processo para garantir o respeito à todas as crenças.

- CONTEÚDO PUBLICITÁRIO -

“Este encontro é uma ferramenta de formação em que abrimos um canal de diálogo entre a nossa equipe e os voluntários para discutir métodos que assegurem o respeito e a diversidade religiosa. Nós reconhecemos e valorizamos a sociedade civil que atua nas unidades prisionais, garantindo a assistência religiosa e o acesso a todo interno interessado em participar dos movimentos espirituais” conta Ferraz.

A Sejus promove assistência religiosa nos presídios há dez anos. São cerca de 130 instituições religiosas cadastradas junto ao Grupo de Trabalho Interconfessional do Sistema Penal (Ginter) do Estado do Espírito Santo. A temática faz parte da grade curricular da formação dos agentes penitenciários.

O coordenador da política de assistência social e religiosa do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Arley Nascimento Silva, participou do encontro. Pela manhã, ele foi responsável pela palestra “Desafios da Liberdade Religiosa no Ambiente de Cárcere”.

“A assistência religiosa é uma vertente da assistência prisional e, em boa parte do Brasil, é a única oferecida aos internos. Estamos trabalhando em princípios e diretrizes para regulamentar, em nível nacional, o trabalho da assistência religiosa, mas é importante ressaltar que a reabilitação não vai existir se o preso não receber todas as assistências. Nossas iniciativas buscam consolidar uma política pública, mas o que tem maior valor em tudo isso são as vidas daquelas pessoas privadas de liberdade e da convivência familiar”, destaca.

Lição e exemplo

Há nove anos atuando como voluntário nos presídios, o pastor Robson Moreira relata que usa sua própria história como exemplo. Ele esteve em reclusão em uma unidade prisional por três anos e hoje coordena um grupo de missão com cerca de 400 membros que atuam em quase todo o Espírito Santo.

“Quando estive na unidade prisional, recebi acompanhamento religioso e espiritual. Eu fui batizado aos 12 anos, mas me afastei do evangelho. Receber acompanhamento espiritual foi tão importante para mim como é importante para todos aqueles que se encontram lá dentro. Faz com que os internos passem a ter mais respeito ao próximo e aos servidores do sistema, e os prepara para retomar suas vidas no convívio de suas famílias”, destaca.