O iG conversou com dois especialistas para discutir os possíveis quadros para as eleições de 2022

Fonte: IG

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Passadas as eleições municipais e as do Congresso, legendas começam a se movimentar para lançar seus nomes para as eleições de 2022. No último dia 5,  Fernando Haddad foi sugerido pelo ex-presidente Lula como candidato do Partido dos Trabalhadores (PT).

Faltando mais de um ano e meio para o pleito, a escolha do PT já tem sofrido críticas tanto direita – por conta de todo passivo ético e da crise econômica e deixada pelo governo Dilma – quanto da própria esquerda, que, entre outros fatores, julga que o PT não abdica de seu “projeto de poder”.

Segundo  Ivan Filipe Fernandes , mestre e doutor em Ciência Política e professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC, o Partido dos Trabalhadores vê como mais desafiadora a vitória de um candidato de centro-esquerda do que a vitória de um candidato de direita. Isso porque a conquista de um candidato do mesmo campo ameaçaria sua hegemonia neste espectro político.

“Se mantiver a hegemonia na esquerda, cedo ou tarde, o PT consegue voltar ao poder, porque essas transições são naturais em regimes democráticos. Mas, se ele perde espaço nesse espectro ideológico, talvez nunca volte ao poder, como foi o caso do PSDB, que perdeu espaço para o bolsonarismo de extrema-direita”, explica.

Para Leandro Consentino, cientista político e professor da Ínsper, além do PT – que não mostra muito interesse em organizar uma frente ampla antibolsonarista -, outros quadros da oposição também têm tido dificuldades para se organizar

“Na oposição, ninguém está se entendendo. Todo o espectro, tanto no centro quanto na esquerda, está com dificuldades para encontrar um projeto único. É uma dificuldade inerente ao fato de haver uma pulverização muito grande de candidaturas, mas também ao fato de que ninguém está disposto a ceder espaço dentro de um projeto”, afirma.

Entre as alternativas da oposição está um velho conhecido da política brasileira:  o ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes (PDT).

Na última quinta-feira (11), Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, reforçou o intuito do partido de lançar Ciro como “líder” de uma  eventual frente ampla em 2022.  Essa aliança, porém, não deve ser reforçada pelo PT, que não se submeteria a ser coadjuvante no pleito para 2022. E o inverso vale para os demais partidos de centro-esquerda, que não enxergam mais no PT a mesma força de outrora.

“O PT perdeu, nas últimas eleições, o monopólio que tinha na esquerda. O próprio Ciro Gomes deu um recado muito forte durante o pleito de 2018 . Outras forças foram se aglutinar de maneiras diversas. O próprio PSB saiu de uma órbita mais lulista, o Boulos ganhou uma dimensão muito grande nas eleições para a prefeitura — que não sei se repetirá — mas foi melhor do que o PT e teria dificuldade de se submeter a uma candidatura petista . E do lado do centro eu enxergo ainda menos possibilidade”, diz Leandro Consentino.

A opinião é compartilhada por Ivan Fernandes. Para ele, os demais partidos da oposição “buscam espaço dentro da radicalização política no Brasil e apostam que, em algum momento, haja uma moderação do eleitorado que permita que essas opções alternativas de centro, seja na centro-direita com Doria, seja na centro-esquerda com Ciro, consigam ir para o segundo turno”.